Viagem é contexto

Viagem é contexto

O que faz uma viagem ser boa ou ruim? Será mesmo que é a escolha do hotel bem localizado? Um roteiro adequado aos interesses dos viajantes? Ou o clima ideal? A gastronomia típica do destino importa? A capacidade de se comunicar com os nativos?

E aquela vez que você deu aquela dica quente, sem erro, e não funcionou pro outro? Ou aquela cidade que você não viu nenhuma graça, mas seu amigo achou incrível?

Claro que tudo isso, e mais um pouco, pode contribuir com uma boa experiência de viagem. E é claro também que quanto mais a gente vai viajando, mais pega as manhas. Não é? Vamos caindo menos em furadas, evitando aquilo que sabemos que não funciona pra nós e os acertos vão aumentando. Até o planejamento, mesmo pros que gostam muito de planejar, vai ficando mais leve. Sim, experiência ajuda.

Mas ainda assim ando achando que mesmo um turista bem craque, bem avançado, vai ter viagens boas e ruins. Porque caminho se faz caminhando, e viagem se faz viajando.

Eu, particularmente, acho bem fácil jogar a culpa no destino. Aquele lance de que Inglaterra é cara, os franceses esnobes, os alemães frios e os espanhóis grosseiros. Tá vendo? É fácil compartilhar a culpa de uma viagem ruim. E mesmo admitindo a culpa, dá pra ficar no superficial. Quer ver: não tive tempo de pesquisar ou planejar. Ou: fui porque a minha família queria.

E aí que também já vivi viagens que tinham tudo pra dar errado ou ser bem sem gracinhas e foram inesquecíveis. Me fala que não estou sozinha nessa. Você já viveu algo assim, não viveu? Dá pra ser miseravelmente infeliz em Paris ou imensamente realizado em Palmas. Sim, dá. E a mesma pessoa pode viver isso.

Observando todas as variáveis, só consegui concluir que é o danado do contexto que faz as viagens. São todas a variáveis juntas e misturadas. Nunca uma só. Importa o motivo da viagem. Importa a expectativa com o destino, importa a companhia na experiência. Importa as outras mil questões da sua vida que não vão parar enquanto você viaja. Viajar é mesmo como viver. Mil pedacinhos que se juntam, se alinham e que não estão necessariamente sob nosso controle.

E agora? Pergunto eu, pergunta você. O que tenho desconfiado é que talvez uma dica quente mesmo de viagem seja essa: se observe, se conheça e dê nome e peso a cada coisa. Você gosta de estar ao ar livre? Vai fazer o quê numa cidade que é pura história, cheinha de museus? Quer ir ver neve mesmo odiando passar frio? Que tanto que isso te incomoda? Se tiver que te dar uma dica quente de viagem, eu diria: a melhor viagem está mais em você do que no destino.