Como nascem as viagens

Como nascem as viagens

Era uma vez uma foto de uma igrejinha branca no topo de uma ilha. A ilha repousava no meio de um lago de águas cristalinas. Apareceu do nada, quase como mágica, numa busca qualquer por fotos de barcos. Era uma vez um filme que alguém elogiou: In Bruges. Onde fica Bruges? Era uma vez uma conhecida no Instagram (que você nem lembra mais como conheceu), que postou fotos de uma cidadezinha charmosa, cheia de esculturas de dragões. Era uma vez a irmã da sua amiga, que desbravou cinco cidades europeias com três filhos de idades entre 1 e 5 anos. Era uma vez uma pessoa que você conheceu por acaso, num desses encontros rápidos e improváveis, que falou sobre como a Tailândia, além de deslumbrante, é obscena de tão barata. Obscena é uma palavra que chama atenção. Era uma vez aquela notícia sobre a senhora de 80 anos que desbravou o mundo em passeios transatlânticos em vez de pagar pelas diárias de um asilo. Era uma vez aquela música, aquela série, aquela conversa, aquela foto, aquela notícia, aquele prato, aquele vinho.

Viagens podem nascer do improvável. Às vezes nascem de curiosidadezinhas que vão se agigantando sabe-se lá por quê. Viagens também nascem do cansaço, da rotina e da frustração. Viagens às vezes têm barriga de aluguel. Às vezes a gente adota a viagem dos outros e curte como se fosse nossa. Viagens nascem como desculpa para se reunir ou amar. E uma vez nascidas, as viagens de todos os tipos, tamanhos e objetivos têm um poder mágico que pode se manifestar no turista mais desavisado: fazer surgir o olhar de descoberta. Um verdadeiro caminho sem volta. Aquele impulso de querer ir sempre mais, sempre em busca do novo, ou sempre de novo, em alguns casos. De querer constatar com os próprios olhos que há um mundo de possibilidades. De que observando bem, e sendo criativo, o que se vê fora pode ser trazido para dentro, para a vida real, para o cotidiano. Como disse o lendário escritor colombiano, Gabriel García Márquez: “O que você viveu ninguém rouba”.

Vivemos algumas vezes a transformação do grãozinho microscópico num megaprojeto de descoberta e exploração. Experienciamos o que uma viagem pode trazer e transformar. Agora unimos esta bagagem a outra para gestar e fazer nascer algo novo, um primogênito. Da Revista Bula, que há 15 anos ajuda a trazer luz ao jornalismo cultural brasileiro, nasce a Bula de Viagem. Embarcamos agora nesse novo projeto com o compromisso e com o mesmo entusiasmo que nos trouxe até aqui: os de disponibilizar informação de qualidade para que mais pessoas possam viver a descoberta, o encantamento e o raro prazer que as viagens proporcionam.